Natura tem receita pressionada no Brasil, enquanto mercados hispânicos registram crescimento e expansão de rentabilidade no 2T26
- Receita de R$ 5,2 bilhões reflete pressão no Brasil causada por desafios operacionais, efeitos tributários temporários e contexto macroeconômico
- América Hispânica registra crescimento acelerado de +7,2% e expansão de rentabilidade
- EBITDA consolidado de R$ 620 milhões, com margem de 12%, representa evolução de +470 bps em relação ao trimestre anterior
- Geração de caixa livre positiva de R$ 342 milhões e alavancagem com leve redução, sustentando a saúde financeira do negócio apesar dos desafios operacionais
- A companhia vem implementando ajustes logísticos e comerciais em todos os canais para impulsionar receita no Brasil no segundo semestre
- Investimentos estratégicos em marketing, P&D e inovação digital serão preservados
A Natura (B3: NATU3) divulgou nesta segunda-feira (10) os resultados do segundo trimestre de 2026. No período, a receita foi de R$ 5,2 bilhões, com o desempenho no Brasil impactado por indisponibilidade de produtos, descasamento tributário temporário e ambiente de consumo desaquecido no país.
Já os mercados hispânicos registraram crescimento acelerado, de +7,2% em moeda constante, impulsionado por avanço consistente no México e recuperação contínua na Argentina. Nesses mercados, a marca Natura expandiu +12,3% e a Avon +4,7%, com crescimento tanto de receita quanto de rentabilidade, que foi beneficiada pelas eficiências do novo modelo operacional da companhia.
A margem EBITDA nestes mercados atingiu 7,6%, expansão de +220 pontos-base (bps) com relação ao mesmo período do ano anterior. No Brasil, a margem ficou em 16,4%, pressionada por efeito tributário temporário no Estado de São Paulo e por despesas de vendas.
Com esses resultados, o EBITDA consolidado da companhia atingiu no 2T26 R$ 620 milhões, margem de 12,0% – ou 13,2% se desconsiderado o efeito do descasamento tributário – uma expansão de +470 bps com relação ao trimestre anterior.
Apesar do desempenho pressionado no Brasil, a empresa registrou geração de caixa positiva para firma de R$ 342 milhões, e a alavancagem ficou em 2,06x, ligeira redução com relação ao trimestre anterior.
Pavimentando crescimento futuro – No início de julho, a companhia já havia comunicado ao mercado que a receita do trimestre havia sido impactada por um conjunto de ajustes operacionais internos. Agora, ao divulgar os resultados do 2T26, a empresa reiterou que estão em curso ações para abordar essas frentes, incluindo:
- Iniciativas para reequilibrar a cadeia de abastecimento ao longo do segundo semestre de 2026.
- Incentivos para a força de vendas e estratégias comerciais direcionadas a categorias de alta rotatividade.
- Retomada do ritmo acelerado de abertura de lojas e novo modelo de contrato de franquias.
- Ampliação da nova loja digital das consultoras, a “Minha Loja”, e a entrada em novos marketplaces.
“Os desafios operacionais no trimestre decorreram de ajustes necessários para pavimentar o caminho para o crescimento futuro dos negócios, como investimentos em capacidades digitais e logísticas e realinhamento entre os canais venda direta, online e de franquia, embora o desabastecimento de produtos tenha sido superior ao inicialmente previsto”, comentou o CEO, João Paulo Ferreira.
Coerente com suas ambições de crescimento, a Natura manterá investimentos estratégicos em marketing, P&D e inovação digital, garantindo a saúde do negócio a longo prazo. Por consequência, a empresa mantém a expectativa de expansão da margem reportada versus 2025 (10,0%), e não mais com relação à margem ajustada (14,1%). A companhia reafirmou a perspectiva de geração de caixa superior ao ano anterior, mantendo os níveis de alavancagem dentro da faixa ideal.
Para o CEO, embora esse desempenho represente um desvio temporário na restauração do crescimento pleno da companhia, a tese fundamental do negócio permanece inalterada. “Temos um negócio construído sobre marcas fortes, distribuídas através de um modelo único em mercados de alto potencial, e apoiado por uma equipe comprometida, inovadora e focada na execução. Uma combinação poderosa para geração de crescimento financeiro, com margens altas e forte retorno”.
Regeneração – Reforçando sua transparência, no segundo trimestre a Natura lançou o Relatório Integrado 2025 e o Caderno de Indicadores ESG, documentos que trazem o atingimento antecipado de metas do Compromisso com a Vida 2030, como a expansão para 52 bioingredientes da sociobiodiversidade amazônica (superando a meta de 49 até 2027), relacionamento com 46 comunidades agroextrativistas (superando a meta de 45 até 2030), e a geração de R$ 4 em benefícios sociais e ambientais para cada R$ 1 em receita (alcançando a meta para 2030).
Demonstrando o potencial de causas sustentáveis para gerar valor financeiro, a ação especial de logística reversa promovida pela Natura para a coleta de liners (verso siliconados das figurinhas para álbum do campeonato mundial de futebol de 2026) atrelada a um incentivo comercial gerou R$ 4,45 milhões em receita bruta. A iniciativa impulsionou o ticket médio em 49,2% nas lojas próprias e 54,1% nas franquias, além de incorporar o material coletado à cadeia de suprimentos da empresa, consolidando um modelo de economia circular em ciclo fechado.
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