Natura precifica riscos climáticos e transforma gestão preditiva em resiliência do negócio
- Mapeamento financeiro inédito tangibiliza como investimentos atuais minimizam exposições à riscos climáticos na cadeia de valor.
- A integração entre rigor climático e gestão financeira já orienta a alocação de capital da Natura, fortalecendo a resiliência de R$584 milhões em receitas de produtos com insumos amazônicos e mitigando a volatilidade de custos da carteira de R$1,7 bilhão em compras de insumos agrícolas.
Em mais um avanço em sua agenda de transparência e integração entre sustentabilidade e estratégia de negócios, a Natura publica voluntariamente seu primeiro Relatório de Informações Financeiras Relacionadas à Sustentabilidade, elaborado com base nas normas IFRS S1 e IFRS S2, do International Sustainability Standards Board (ISSB). O relatório apresenta como os riscos relacionados às mudanças climáticas podem influenciar a estratégia, o desempenho e a posição financeira da companhia, incluindo seus fluxos de caixa, acesso a recursos e custo de capital. Além disso, ele detalha as medidas adotadas pela Natura para responder a esses temas, integrando a gestão climática à tomada de decisão e à resiliência do negócio no longo prazo.
“Nós não estamos apenas relatando métricas climáticas, estamos demonstrando como a transição climática impacta nossas decisões financeiras hoje, na forma como alocamos capital e como estruturamos instrumentos financeiros. Este movimento é um convite para que todo o ecossistema global avance. Este é um processo de constante evolução e aprendizados, onde não podemos esperar estar 100% prontos para começar a agir. É algo que deve ser compartilhado com outras empresas e órgãos reguladores”, explica Silvia Vilas Boas, CFO da Natura. “Acreditamos que transparência e integração de sustentabilidade com finanças são as ferramentas mais poderosas para acelerar a transição rumo a uma economia regenerativa, garantindo a perenidade dos negócios, em um cenário global cada vez mais complexo e exigente”, acrescenta a CFO.
Destaques do relatório:
- Vendas atreladas a ativos amazônicos: o relatório revelou que as linhas de produtos dependentes dos três bioingredientes mais vulneráveis a eventos climáticos na Amazônia (castanha-do-pará, cupuaçu e murumuru) expõe cerca de R$ 584,2 milhões da receita líquida da empresa (ano de referência 2025). Como resposta de mitigação, a Companhia investe em um time inteiramente dedicado a gestão da cadeia de suprimentos da sociobiodiversidade (GRAS), os períodos de colheita são monitorados para identificar escassez ou excedente, com um horizonte de planejamento de 18 meses para ingredientes estratégicos, compartilha recursos com as comunidades através do pagamento por serviços ambientais e fortalece a conservação e regeneração da floresta através do Mecanismo de Financiamento Amazônia Viva.
- Risco financeiro em fábricas e logística: a companhia calculou que ondas de calor e tempestades extremas representam uma exposição potencial de R$45,5 milhões a R$53,5 milhões na sua margem bruta caso nenhuma medida preventiva seja adotada no curto prazo. Para neutralizar perdas e blindar ativos, a empresa contratou R$6,08 bilhões em cobertura de seguros para instalações, estoques e equipamentos.
- Impacto direto nos insumos (R$1,74 bilhão): a compra de commodities agrícolas essenciais (como óleo de palma, etanol de cana e papel) somou R$1,74 bilhão em 2025, o equivalente a 24% de todo o custo de produção da empresa. Para evitar o desabastecimento e a oscilação de preços provocados por secas severas, a Natura já aportou R$ 21,3 milhões diretamente no desenvolvimento de sistemas de plantio agroflorestal (SAF Dendê e Macaúba) que são mais resilientes às mudanças climáticas e com menor pegada de carbono, sendo R$ 6,00 milhões em 2025.
- Custo de adaptação a novas leis de plástico: diante do avanço de exigências de reciclagem e taxas de logística reversa na América Latina, a empresa estimou um impacto indireto no médio prazo entre R$26,4 milhões a R$101,4 milhões nos custos. A exposição a esse risco vem sendo mitigada preventivamente com investimentos no ecodesign de embalagens e programas de circularidade.
Antecipação da meta de emissões de 2030
O relatório financeiro comprova que a alocação de capital da Companhia está alinhada à sua estratégia de descarbonização. Impulsionada pelo seu Plano de Transição Climática, a Natura investiu R$13,7 milhões direcionados em projetos de descarbonização em 2025, o que permitiu à Natura alcançar uma redução em 49% suas emissões absolutas de carbono (Escopos 1 e 2) em relação a 2020. O resultado supera antecipadamente a meta de 42% de redução aprovada para 2030 junto à Science Based Targets initiative (SBTi) no contexto do Grupo. Na cadeia de suprimentos estendida (Escopo 3), a queda acumulada já atinge cerca de 40% nas frentes prioritárias.
Para garantir que a gestão da estratégia climática oriente a tomada de decisão em todas as pontas, a Natura atrela parte do bônus anual (PLR) de todos os executivos e dos incentivos de longo prazo de toda a sua diretoria, incluindo o CEO, ao atingimento de metas socioambientais e redução de emissões de Gases do Efeito Estufa.
Além disso, em uma agenda integrada entre finanças e sustentabilidade, a aprovação de novos produtos e projetos de investimento passou a calcular um preço interno de carbono de US$170 por tonelada. Como resultado, 84% de todas as vendas de 2025 vieram de produtos com atributos sustentáveis, classificados internamente como receita verde, e 70% de linhas de baixo carbono.
Sobre o relatório IFRS S1 e S2
A publicação voluntária do relatório adota de forma voluntária as diretrizes globais do International Sustainability Standards Board (ISSB), normatizadas no Brasil por meio da Resolução CVM nº 193/2023 e suas atualizações (resoluções nº 219/2024, nº 227/2025 e nº 244/2026). Ao adotar voluntariamente as normas IFRS S1 e S2, mesmo após o fim da obrigatoriedade, a Natura reafirma sua posição de vanguarda no mercado de capitais global. A decisão tem objetivo de oferecer informações mais comparáveis, auditáveis e diretamente conectadas ao resultado financeiro da Companhia.
O documento passou por asseguração limitada dos auditores externos da Natura – Deloitte; e utilizou plataformas digitais de alta precisão (SINAI Technologies) para mensuração e rastreabilidade de dados de Gases de Efeito Estufa. O relatório completo e os cadernos de indicadores ESG estão disponíveis no site de Relações com Investidores.
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